ERA UMA VEZ […]

 

MARCELO TAVARES

Estudante de Direito

 

Um verdadeiro amigo contou-me que, enquanto pedalava ladeira abaixo, o aparato sonoro instalado em seu veículo transmitia resmungos de uma figura patética dizendo que, após eleita, revolucionaria a cidade na qual trabalha (trabalha?! Ah, tá…) e recebe o sustento capaz de manter sua família. Prometia dedicar seu tempo à amplitude das condições de vida dos seres humanos, das plantas, dos animais e até das coisas. Profissionais da saúde e da educação – por exemplo – embolsariam atraentes salários, bem como, teriam condições de trabalho capazes de causar inveja até mesmo em comunidades de primeiríssimo mundo. As ruelas da já – “sua” – cidade seriam pavimentadas, iluminadas, arborizadas e, com certeza, teriam sistema de saneamento básico oferecido em modelo ideal. A todo o momento, novas empresas chegariam à cidade e, pelas esquinas, gritariam vagas de empregos, estágios e projetos sócio-educativos. A mendicância não comporia o referido cenário, pois, sua administração ofereceria invejável estrutura de assistência social. Pedia crédito ao que dizia e, implorando votos, garantia que durante sua atuação, servidores públicos – escorados ou não no benefício da estabilidade – cumpririam eticamente suas jornadas laborais atendendo as pessoas (internas e externas) com simpatia, honestidade e responsabilidade. Filas de espera em postos de saúde jamais existiriam, remédios e exames seriam gratuitos e imediatos e, na área agrícola, os produtores receberiam grandiosos e constantes investimentos. A população acessaria facilmente manifestações culturais, esportivas e de lazer que, é claro, seriam constantes. Segundo meu amigo, o entrevistado estava empolgadíssimo e – se já não bastasse – prometia inclusão digital às comunidades mais longínquas, redução de impostos, transporte coletivo gratuito, mais Escolas, Teatros, Museus, Hospitais, fim da criminalidade, extermínio do crack, cura do câncer e da AIDS, homem frequentemente indo à lua, trem bala, uma perna ao saci, etc. Eis que então – graças a Deus – a entrevista chegou ao fim deixando a todos, apenas uma certeza: que candidatos subestimam eleitores ao acreditarem na existência de seres “tapados” a ponto de não perceberem inverdades, incapacidades e reais intenções – lamentável! Por fim e se questionado, talvez o liguista Noam Chomsky explicasse tal cenário dizendo “Não entendemos o suficiente da humanidade a ponto de prevermos o futuro com perfeição. Tudo é experimental”. Pensem nisso.

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